domingo, 9 de dezembro de 2018

Intuição e técnica



Eu adoro contar esta história, mas nunca contei aqui. Há uns anos atrás participei de uma oficina de tarot conduzida pela queridíssima Petrucia Finkler, que tem um trabalho lindíssimo com o simbólico e outras habilidades (aqui o blog dela, conheçam: https://www.petruciafinkler.com.br ).

Durante o encontro, ela contou sobre métodos de leituras, possibilidades de interpretação, uso de aromaterapia e outras dicas para abrir a percepção, tudo muito novo e interessante pra mim na época.

Aí ela fez um convite impensável: que nós, os participantes, cedessemos para ela um objeto que estivéssemos usando ali, naquele momento. Seriam colocados numa sacolinha. Todo mundo olhou desconfiado, como assim?

Mas cada um deu alguma coisa, uma caneta, um cristal, um prendedor de cabelo, um brinco...

E aí que todos os objetos pessoais foram misturados ali na sacola e jogados no chão, ficou aquela bagunça de coisas no meio do nosso círculo.

Todo mundo se olhando e não entendendo nada.

Então veio a proposta: cada pessoa deveria fazer uma leitura intuitiva daqueles objetos, a partir do seu ponto de vista no círculo, para a pessoa que estivesse ao lado.

Confesso que achei bem estranho, nunca tinha imaginado essa coisa de ler objetos. Mas chegou a minha vez e fiz uma possível leitura que a pessoa do meu lado achou pertinente.

E aí que chegou a vez da pessoa ler pra mim e eu nunca me esqueço dessa leitura. Ela visualizou uma caneta apontando para o anel de alguém ali naquele aglomerado de coisas, e me disse que eu precisava escrever. Que o que eu tinha de mais importante pra dizer, que dissesse escrevendo, e que surgiriam pessoas que achariam esses textos e me acompanhariam, e que as minhas palavras encontrariam o caminho para dar voz a outras pessoas. Por fim, me disse que a palavra pode curar.

Esta semana eu recebi vários retornos sobre o texto da codependência de pessoas que se identificaram e se sentiram representadas ali nas minhas palavras, e me lembrei dessa história. Eu amo escrever e tenho trabalhos escritos muito bacanas pra contar, como as leis que escrevi em favor das mulheres por exemplo, mas os pequenos textos do dia a dia que tocam aqui e ali e que de vez em quando me fazem receber de volta um carinho de quem sabe do que eu estou falando (escrevendo), é muito realizador.

Eu não sei quem foi essa pessoa que me fez essa leitura tão intuitiva e tão preciosa, mas eu agradeço a ela hoje. E à Petrucia, que me fez perceber o quanto escrever sobre o que eu acredito era algo genuíno e importante pra mim ;-)

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